Como aliviar a dor do parto com recursos não farmacológicos?

Imagine a cena número 1: a gestante sente contrações bem fortes e longas a cada 3 ou 4 minutos. Está em trabalho de parto numa sala com muitas luzes frias, ar condicionado ligado, pessoas estranhas entrando e saindo do local. Ninguém permanece a seu lado; ela está sozinha tentando lidar com aquelas ondas que ficam cada vez mais intensas. Dizem para ela ficar deitada na maca e não gritar, sem dar explicações sobre o que está acontecendo.

Agora a cena número 2: a gestante sente contrações bem fortes e longas a cada 3 ou 4 minutos. Está em trabalho de parto numa sala com pouca luz, quase na penumbra; o ar condicionado está desligado. Não há entra e sai da sala; quem está ao lado dela são as pessoas que ela escolheu para acompanhar aquele momento. Ela pode escolher a posição em que se sente mais confortável para lidar com a ondas que estão cada vez mais intensas. É incentivada a vocalizar e expressar seus sentimentos.

Qual das duas você acha que sente menos dor?

Estudos comprovam que algumas técnicas simples, como a presença de acompanhante de escolha da mulher, liberdade de movimentos, uso da água quente, para citar algumas, contribuem muito para atenuar a sensação de dor durante o trabalho de parto.

A presença da doula durante o trabalho de parto, por exemplo, foi cientificamente relacionada com menor relato de dor, menor necessidade de analgesia, menor taxa de partos operatórios e maior satisfação com o parto.

É importante ponderar que o alívio total da dor não necessariamente implica uma experiência de parto mais satisfatória. Por isso, a escolha do tipo de analgesia a ser utilizada no parto deve ser pensada considerando-se os riscos, benefícios e o desejo da gestante.

Aqui vou citar alguns métodos não farmacológicos que ajudam a promover conforto, sentimentos positivos e alívio da dor – sempre lembrando que cada parto é único e o que funciona para uma mulher pode não surtir efeito em outra (e aquilo que ela acha maravilhoso numa fase do parto pode achar horrível na fase seguinte).

Ambiente

. Iluminação suave, quente

. Sons que agradem (músicas que promovam relaxamento ou ritmo)

. Cheiros de lavanda ou alecrim, desde que não incomodem a mulher

. Aconchego, privacidade e segurança

Posições

. Caminhar

. Deitar de lado com muitos travesseiros

. Balançar os quadris

. Sentar na bola suíça

. Dançar com o parceiro

. Pendurar-se no rebozo (pano tipo uma canga usado por doulas e parteiras)

. Agachar, ajoelhar, ficar em quatro apoios

Toque

. Dar a mão

. Massagens nas costas, na região lombar

. Contrapressão nos quadris

. Carinhos, cafuné

Calor

. Chá quente, sopa

. Banho quente de chuveiro

. Banho de banheira (imersão)

. Abraço

. Compressas quentes no pé da barriga ou na lombar

Outras técnicas

. Vocalização

. Padrões de respiração

. Visualização

. Afirmação

. Preces, mantras

. Presença de acompanhante

. Doula

 

Deixe um comentário